SUL-AMERICANA VIRA PESADELO
O que já se desenhara na desastrosa seqüência de 10 jogos sem vitória e fora parcialmente mascarado por uma vitória épica, mas absolutamente casual no Fla-Flu, ficou dolorosamente evidente para os rubro-negros na surra que o Flamengo levou do Universidad do Chile, transformando o sonho da Sul-Americana em um tremendo pesadelo.
Pior: na sova que os chilenos aplicaram no campeão carioca, no Engenhão (4 a 0 foi até pouco, pois o adversário desperdiçou até pênalti), Bottinelli se contundiu seriamente (há suspeita de fratura) e não há rigorosamente nenhum armador disponível no elenco profissional para o próximo jogo contra o Santos, pelo Brasileiro. A única solução (que não agrada à Comissão Técnica) é apelar para o jovem e talentoso Adrian que, sabe-se lá o motivo, foi devolvido aos juniores.
No vexame completo da noite de quarta-feira, mesmo com Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves em campo, a equipe de Vanderlei Luxemburgo voltou a mostrar os velhos e conhecidos defeitos: não tem esquema tático, não tem padrão, não têm jogadas ensaiadas e nem sequer disciplina - Aírton foi o expulso da vez, após desferir medonha botinada num adversário, ainda no primeiro tempo.
Ganhar o título nacional, jogando o futebol medíocre que vem jogando, parece ser tarefa impossível, até mesmo em caso de milagre. E se não melhorar muito, e rapidamente, até a vaga para a Libertadores estará seriamente ameaçada para o Flamengo.. Inclusive porque o São Paulo venceu na Sul-Americana, deve investir no torneio e, se conquistá-lo, ainda diminuirá uma vaga do Brasileirão...
Em tempo: o Santos, com Neymar endiabrado e fazendo um golaço, derrotou o Botafogo por 2 a 0, impedindo que o Glorioso assumisse a liderança do campeonato. E a turma da Vila vem encarar o Flamengo, cheia de apetite, para garantir logo os pontos necessários para fugir do rebaixamento, e antecipar o período de folgas e treinamentos para o Mundial...
Por Aleksim Oliveira
CHANCE DUPLA
Você sabia que o Flamengo está a oito jogos da Libertadores — tanto pelo Brasileiro quanto pela Sul-Americana? Já ao Botafogo, por caprichos da tabela, faltam nove compromissos no torneio nacional e apenas sete no internacional. Um a mais, um a menos, pouco importa, o curioso é notar que rubro-negros e alvinegros terão duas oportunidades, assim como o São Paulo. Alguns detalhes interessantes: se o Botafogo enfrentar o Vasco ou o Universidade do Chile, na final da Sul-Americana, nem precisará conquistar o título. Isto porque os dois possíveis rivais (que estão do lado contrário da sua chave) já têm presença garantida na principal competição do continente — e, neste caso, o classificado para a Libertadores será o vice. O mesmo raciocínio do Glorioso serve para o tricolor paulista. Já o Flamengo precisará torcer para encontrar na decisão o argentino Velez Sarsfield, outro pré- classificado. Aí, entrará mesmo sem ser campeão. Qual o caminho mais fácil? Impossível dizer. A tendência é que, por causa das chances de ganhar o Brasileirão, todos comecem priorizando o campeonato daqui. Mas em caso de tropeço... Em tempo: Flamengo e Botafogo podem até duelar na final da Sul-Americana, que ainda pode ter semifinais somente com os nossos clubes: Vasco x Fla e São Paulo x Botafogo. Já pensou?
À FLOR DA PELE
Apesar da vitória, muitos torcedores do Fluminense não perdoam Abel, a quem acusam de estar sempre predisposto a encher o time de volantes, em detrimento de armadores — e a substituição de Deco por Diogo (e não por Lanzini) foi duramente criticada. Fenômeno semelhante ocorre na torcida do Flamengo, que não consegue se empolgar com as atuações rubro- negras. Junte-se a isso a eterna desconfiança dos botafoguenses com Caio Júnior e as queixas que já começam a ser feitas em relação à Cristóvão (Vasco) e a conclusão é uma só: numa chegada de campeonato tão parelha, independentemente da cor da paixão, os torcedores de todos os clubes estão à beira de um ataque de nervos...
Por Aleksim Oliveira
COMPETÊNCIA E PREDESTINAÇÃO
Após o menosprezo e desconfiança de alguns, inclusive de um determinado diretor, quando após o empate com Crisopolis aqui em Valente e antes mesmo do jogo de volta lá em Crisopolis, já diziam que Valente estava fora do campeonato intermunicipal. Depois da derrota lá em Crisopolis onde Valente foi “Roubado” pela arbitragem, ainda com a bola rolando ouvíamos desses alguns que definitivamente Valente daria adeus a competição ainda na primeira fase, por que para eles Valente não venceria Serrinha jogando fora de casa, ai entrou a Competência e Predestinação de um senhor de nome José João da Silva, conhecido “Zé Gambirra”, que com sua comissão técnica fechou esse grupo, brindou os seus comandados para que o baixo astral dessas pessoas não atingisse ainda mais o grupo de atletas Valentenses. Como sempre conversando de frente com todos os atletas expôs que ali estava em jogo o nome de cada um deles, o investimento e confiança que a Prefeitura de Valente, através de Marcos, Miranda, Ivanilton e do Prefeito Ubaldino, estavam fazendo e depositando no trabalho de cada um deles. Que todos estavam ali pelo potencial que tinham e que era chegado o momento de demonstrar a partir do jogo de Serrinha fora de casa que eles tinham potencial e caráter para mostrar que não iriam sair do campeonato na primeira fase como muitos queriam. Gambirrão fez uma promessa em público, de que Valente ia ganhar em Serrinha e mostrar a todos como se jogava Intermunicipal. E para alegria de muitos, inclusive a minha, 18 dos 30 guerreiros foram relacionados para a partida, deram um show, venceram Serrinha e classificaram Valente para a segunda fase. A partir dessa partida o grupo se fechou ainda mais, focou-se ainda mais na competição, evoluiu o futebol de todos os atletas, deu liga como dizemos na gíria do futebol, foram 07 partidas, uma ainda pela primeira fase e seis pela segunda fase, vencendo 05 partidas (03 fora de casa) e empatando 02 partidas, marcando 21 gols e sofrendo apenas 04 gols. A ultima vitoria foi no ultimo domingo, contra a “BAM,BAM,BAM” do intermunicipal, a toda poderosa seleção de São Francisco do Conde, lá em São Francisco. Com autoridade, jogando um bom futebol a Seleção Valentense venceu por 2 x 1, com gols de André Bahia e Zé Carijé, mesmo jogando quase 60 minutos com um homem a menos, foi aguerrida e teve competência para vencer. A torcida Valentense fez mais uma vez seu show a parte fora de casa, desta vez no belo estádio Junqueira Ayres (com exceção do gramado), chegando a contagiar e emocionar a todos nós que estávamos lá presentes. Parabéns a todos os atletas que fazem parte do elenco da Seleção Valentense, Parabéns a Marcos Adriano, Miranda, Ivanilton Araújo, Fiel, pelo empenho e ao Prefeito Ubaldino, pela sensibilidade e disposição em entender a importância do futebol em nosso município e liberar recursos para que esse projeto de colocar uma seleção forte fosse concretizado. Os frutos estão vindo e mais ainda virão pela frente, por que a qualidade desses atletas é indiscutível e incontestável. A comissão técnica e jogadores estão conscientes das dificuldades que virão, mas, com a confiança em Deus e no trabalho realizado com os pés no chão, estão no caminho certo para levar Valente ao titulo do Intermunicipal de futebol, para minha alegria e de muitos Valentenses e talvez para a tristeza de quem dizia que a equipe sairia na primeira fase. Hoje tapinhas são dados nas costas dos jogadores, mas, todos eles sabem quem verdadeiramente estão com eles desde o começo. Na vitoria muitos aparecem, mas na dificuldade poucos davam as caras e incentivavam. Por fim parabenizar a comissão técnica pelo brilhante trabalho, He-Man pela forma física que deixa os atletas, Nenga pelo trato e cuidado com todos residentes na sede, Fernando pelo cuidado e carinho com o material de trabalho dos atletas, Nete e Marcelo pela atenção na parte Médica, Branco pelo dinamismo e empenho como cuida da parte de reidratação dos atletas nos treinos e o belo trabalho como massagista, o irmão Weliton pelo trabalho fantástico que faz com os três bons goleiros que Valente tem, com destaque para o “PAREDÃO” Whallison, desacreditado, injustiçado e até chingado quando teve seu nome citado para ser convocado e hoje é o melhor goleiro do Intermunicipal, também Junior e Gilvan que podem jogar a qualquer momento e vão dar conta do recado e por fim parabenizar o Senhor José João da Silva “GAMBIRRÃO”, pelo comando de toda essa equipe, que mais uma vez mostra que não tem no currículo os títulos do intermunicipal atoa, sabe como comandar, sabe como brindar, incentivar, focar e fazer com que seus comandados botem para fora todo o potencial que eles têm. Demonstra para mim mais uma vez a sua “COMPETÊNCIA E PREDESTINAÇÃO”.
Parabéns Seleção Valentense e que venha Jequié.
Por Aleksim Oliveira
CARTÕES EMPANAM VITORIA DO FLAMENGO
O Flamengo, enfim, conseguiu bater o Ceará (seu algoz na Copa do Brasil) e chegou aos 51 pontos, igualando a pontuação dos líderes Corinthians e Vasco. Mas os três pontos vieram acompanhados de dois desfalques seriíssimos para a próxima rodada, quando o rubro-negro enfrentará o Santos, no Engenhão. Ronaldinho foi expulso após troca de empurrões e Thiago Neves levou o terceiro cartão amarelo. Nos dois casos, houve exagero da arbitragem. No caso do Ronaldinho cabia um amarelo, apesar da ingenuidade que é inadmissível em atleta experiente como ele, ao revidar a agressão e no de Thiago não havia cera, mas cãibra, o que torna absurda a advertência.
No jogo em si, com a volta de Ronaldinho, o Flamengo recuperou a criatividade no meio-campo e foi melhor no primeiro tempo, quando já poderia ter aberto o placar caso uma cabeçada de Thiago Neves não tivesse encontrado o travessão e Deivid não desperdiçasse uma chance clara, permitindo a defesa de Fernando Henrique com os pés. Os dois, entretanto, protagonizariam a jogada do gol, com o canhota fazendo o cruzamento e o centroavante concluindo, de cabeça.
No segundo tempo, o Ceará tentou pressionar em busca do empate, mas, apesar da expulsão do Ronaldinho (juntamente com Heleno) o Flamengo soube suportar a investida, sem grandes sustos. Felipe fez duas boas defesas, mas, de uma maneira geral, o rubro-negro não teve problemas e garantiu os três pontos, importantíssimos na luta pelo título e por uma vaga na Libertadores do ano que vem.
Dever de casa feito, o Flamengo passará o domingo "secando" Corinthians, Vasco, Botafogo, São Paulo e Fluminense, seus adversários diretos nos dois objetivos. E já pensando numa forma (pra lá de problemática) de compensar a falta de seus dois principais jogadores no confronto contra o Santos, de Muricy Ramalho, que vem apanhando de todo mundo, mas é um time sempre perigoso e talentoso.
Por Aleksim Oliveira
TODOS IGUAIS
A cada rodada muda o protagonista. O líder de hoje é o derrotado de amanhã e quem empolga num jogo decepciona no outro. O equilíbrio do Brasileirão impressiona — e encanta. Mas, é obrigatório observar, não há uma grande equipe sequer. O incrível nivelamento produz até goleadas dos que lutam contra o rebaixamento sobre os que sonham com o título. Tudo pode acontecer. Faltando nove rodadas, é impossível fazer qualquer previsão segura. Do primeiro ao sétimo nada é impossível — basta que um deles engate uma seqüência de vitórias. Quem será? Só os deuses do futebol sabem. E esse ano eles parecem, especialmente, travessos...
GLORIOSO RESULTADO. O grande time do meio da semana foi o Botafogo. Enfrentando o líder Corinthians, sua atuação no primeiro tempo, no Pacaembu, beirou a perfeição. Após o intervalo, com um jogador a menos (Cortês foi expulso), o brilho do Glorioso deu lugar ao heroísmo. E o ídolo Loco Abreu jogou até de zagueiro, mas quem saiu como herói da partida foi o goleiro Renan, que não deixou a torcida sentir saudade de Jefferson. Caio Júnior, sempre olhado com desconfiança pela torcida e por parte da crítica, aplicou um golpe de mestre, substituindo Herrera por Felipe Menezes e ganhando o meio-campo sem perder força ofensiva. Acusado, pelo presidente Maurício Assumpção de não saber jogar fora de casa, o time alvinegro respondeu com uma atuação e um triunfo incontestáveis. Bofetada de luva de pelica que devolve ao clube da Estrela Solitária a condição de forte favorito ao título.
BUMBA MEU BOI. Quando acabei de assistir à triste exibição do Flamengo diante do limitadíssimo (e conturbado!) Palmeiras fiquei me perguntando: afinal, o que treinam os jogadores do Flamengo, no Ninho do Urubu? Jogo após jogo se constata que, além da incrível capacidade de errar um passe atrás do outro, a equipe não tem uma jogada ensaiada sequer. Não se vê nenhuma triangulação, nenhuma tabela, nenhum lance de ultrapassagem para facilitar a chegada à linha de fundo, nenhuma singela troca de posições para abrir espaços. A única coisa que o time faz é alçar inúmeras bolas sobre a área, onde normalmente só está o... Deivid! Em suma: o planejamento ofensivo do Flamengo é de uma indigência constrangedora — e vergonhosa para um treinador com o currículo de Vanderlei. A não ser em cobranças de faltas e em lances individuais (na maioria das vezes, em bolas saídas dos pés de Ronaldinho Gaúcho), o campeão carioca se mostra absolutamente incapaz de criar algo. Até mesmo na épica vitória no Fla-Flu, o quadro foi idêntico. E quando Bottinelli se preparou para cobrar a falta que originaria a virada, Luxemburgo ainda gritou, lhe pedindo que alçasse a bola sobre a área! Se o argentino não tivesse desobedecido...
VAI CONTINUAR? Por falar na seleção de Mano e nos absurdos prejuízos que ela causa aos principais clubes do país, há mais duas datas-Fifa até o final do ano: 10 novembro, quando está programado o exótico, ridículo e inútil jogo com o Gabão (?!?!) e dia 15, quando o Brasil pode enfrentar o Egito, outro adversário insignificante. Não haverá uma cabeça pensante na CBF capaz de sugerir ao treinador que use estes amistosos para dar forma e treinar a seleção olímpica — que há menos de seis meses dos Jogos de Londres nem sequer existe — em vez de continuar colocando em campo um time que não vai a lugar algum e só faz atrapalhar quem luta pelo título brasileiro?
Por Aleksim Oliveira
Botafogo Brilha, Flamengo Decepciona
No Pacaembu, o Botafogo foi brilhante no primeiro tempo e heróico no segundo, conseguindo uma vitória espetacular e incontestável sobre o líder Corinthians - resultado que o coloca em terceiro lugar na tabela, com chances de assumir até a liderança, caso o Vasco tropece e ele vença o seu jogo atrasado, contra o Santos.
No Engenhão, o Flamengo voltou a ser inoperante e medíocre e, desta vez, não contou com um "milagre", como os dois chutes de Bottinelli, no Fla-Flu (em que também jogara mal). Resultado: empatou com o fraquíssimo e conturbado time do Palmeiras e caiu da quarta para a quinta posição na tabela, irritando profundamente a torcida com o seu futebol sem brilho e absolutamente previsível, problema que se repete sempre quando não conta com Ronaldinho Gaúcho (cujo vôo de volta do México foi tão atrapalhado quanto à atuação da equipe rubro-negra).
Ao contrário do Fla, o Botafogo esbanjou objetividade em seu duelo com o Timão. Jogando na base do contra-ataque, mas com consciência e eficiência elogiáveis, fez três gols, dos quais só dois valeram, embora todos tenham sido perfeitos e legais. O primeiro, entretanto, foi anulado, num erro crasso e vergonhoso de arbitragem.
Nem isso, entretanto, abalou ou atrapalhou a equipe de Caio Júnior que, novamente, teve em seu meio-campo, com Renato, Elkesson e Maicosuel o ponto forte. Ao lado deles, Loco Abreu foi igualmente decisivo e, aproveitando-se dos espaços abertos na defesa adversária, construiu o triunfo nos 45 minutos iniciais (gols do artilheiro uruguaio e de Maicosuel). Após o intervalo, apesar da enorme pressão corintiana e da expulsão de Cortez, o Botafogo soube defender, com garra, a justa vantagem da primeira etapa, confirmando um resultado magnífico e merecido, a altura de um real e fortíssimo candidato ao título.
Candidato, o Flamengo também continua a ser, mas precisará, e muito, do talento de Ronaldinho Gaúcho para voltar a ter um mínimo de criatividade no meio-campo e no ataque. Sem ele, desde o Fla-Flu, a equipe não cria rigorosamente nada. Erra passes sem parar e limita-se a alçar bolas altas sobre a área, sem precisão ou inteligência - em suma, facilita e muito o trabalho da zaga rival.
Diante do Palmeiras, no primeiro tempo, o Fla teve apenas uma chance efetiva para marcar: de cabeça, Bottinelli acertou o travessão, na seqüência, Thiago Neves testou em cima de Deola e, no rebote, com a baliza escancarada, Leonardo Moura também de cabeça (nas sem usar a massa cinzenta que há dentro dela) atingiu, novamente, a trave. E foi só.
Na segunda etapa, com Negueba e Jael, nos lugares de Deivid e Williams, o time ganhou um pouco mais de movimentação, mas continuou errático. "Achou" um gol em um cruzamento de Thiago Neves, que Jael (impedido) não conseguiu testar, mas traiu Deola. Depois disso, recuou inexplicavelmente e acabou pressionado até ceder o empate, devido castigo que não conseguiu mais desfazer, apesar da pressão desordenada que exerceu até o fim.
Na eterna gangorra do Brasileirão, o Botafogo termina a rodada em alta e o Flamengo em baixa. Mas ambos continuam na luta. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos. A alternância de resultados e a irregularidade das atuações (de todos) não recomenda nenhuma previsão antecipada...
Por Aleksim Oliveira
Fla-Flu como nos velhos tempos!
O primeiro tempo foi morno, amarrado e com pouquíssimas chances para os dois lados. O Fluminense teve um leve predomínio, mas, apesar disso, pode-se dizer que o 0 a 0 foi justo, pois nenhuma das duas equipes fez por merecer um gol. Após o intervalo, porém, o panorama se modificou radicalmente. E coube ao tricolor ditar o ritmo, pressionando o Flamengo e acuando-o, em seu próprio campo, até marcar, através de Rafael Sóbis, de cabeça, concluindo boa jogada de Marquinho - até ali o melhor jogador em campo - e cruzamento de Leandro Eusébio.
Eram 15 minutos da etapa final e, em desvantagem, Vanderlei acordou. Tirou, de uma vez só, Diego Maurício e Deivid (ataque que não tinha feito praticamente nada até então) e também Maldonado: entraram Negueba, Jael e Bottinelli. E o rubro-negro, enfim, começou a jogar.
Após bom lance de Negueba, o chute cruzado encontrou Thiago Neves, na pequena área, e o ex-tricolor fuzilou Cavalieri, empatando.
A partir daí, o clássico pegou fogo. O rubro-negro ensaiou uma pressão, em busca do segundo gol, mas foi à vez de Abel mexer e mudar novamente o panorama do jogo. Saíram Deco, Diguinho e Rafael Sóbis e entraram Lanzini, Souza e Martinuccio.
Com isso, o Flu voltou a tomar as rédeas do duelo, chegando ao segundo gol, em mais uma cabeçada, desta vez do menino Manoel Lanzini que, baixinho, testou absolutamente livre dentro da área do rival.
O cronômetro apontava 33 minutos do segundo tempo e o atual campeão brasileiro jogando melhor do que o seu antecessor no título, tudo levava a crer que o confronto estava decidido. Mas foi exatamente aí que o argentino Dario Bottinelli (contratado como craque do campeonato chileno, no início do ano, mas até agora discretíssimo) resolveu mostrar que não era o "botinudo" que a própria torcida do Fla já criticava.
Numa falta de longe, aos 42 minutos, pegou a bola e disse a Thiago Neves (que se aproximara, querendo fazer a cobrança) que estava confiante e que ele bateria. O canhota ainda resistiu, mas o narigudo argentino não quis nem conversa. Mandou-o para a área, para disputar o rebote e preparou-se com calma e confiança.
A cobrança foi perfeita, por cima da barreira e do goleiro Diego Cavalieri, que se esticou todo, mas não conseguiu tocar na bola que, caprichosamente, beijou o travessão e bateu nas suas costas, indo morrer no fundo da rede. Novo empate, que àquela altura parecia definitivo.
Pois sim. Dario estava mesmo iluminado e dois minutos depois, em novo chute preciso, de fora da área, decidiu um Fla-Flu eletrizante, colocando mais uma bola no cantinho, sem chances para o arqueiro tricolor.
Uma vitória espetacular (e heróica, diante dos desfalques de Ronaldinho Gaúcho, Felipe, Williams e Aírton), que recoloca o Flamengo na luta pelo título, agora em quarto lugar - beneficiado pelos outros resultados da rodada.
Resultados que, aliás, ainda mantiveram o Fluminense também na luta, pois a derrota do Vasco e os empates de São Paulo e Botafogo impediram que a turma da frente desgarrasse.
Ao final de um jogo de tirar o fôlego, a se lamentar apenas o descontrole do Fluminense (a começar pelo técnico Abel), que se queixou muito de um pênalti que teria sido cometido por Jael (num lance de empurra-empurra, dentro da área do Fla) e da falta de Lanzini em Muralha, que originou o primeiro gol de Bottinelli.
Por conta disso, além do próprio treinador, acabaram expulsos Leandro Eusébio e Souza.
Nem a confusão, porém, foi capaz de empanar o brilho de mais um Fla-Flu pra ser lembrado no futuro pelas altas doses de emoção, todas concentradas nos 45 minutos finais.
Por Aleksim Oliveira
Como nos bons tempos
O futebol brasileiro está cada dia mais tumultuado. É o futebol guerreiro, palavra da moda. Guerreiro lembra guerra, que lembra violência. No inconsciente, o jogador, sem pensar, no impulso, influenciado pelo ruído vigente, dá um pontapé.
Domingo temos tudo para ter um Fla x Flu como nos bons tempos. Jogo decisivo, o empate não serve para nenhum dos dois, pois ficarão dependendo dos outros resultados da tabela, mais longe dos líderes. Quem perder esse jogo praticamente dará adeus para o título de campeão brasileiro (vai restar a briga pela vaga na Libertadores).
Certamente teremos casa cheia, ingressos esgotados no meio de semana, e é uma pena que o gramado do Engenhão esteja em péssima qualidade. Soma-se a isso tudo o fato dos dois times serem obrigados a jogar sem seus melhores jogadores no momento, o Fred e o Ronaldinho, por causa de dois amistosos ridículos da Seleção Brasileira contra a Costa Rica e a seleção mexicana.
Mas, cá para nós, o que se pode esperar dessa CBF de hoje? Bom senso? Nem pensar. A direção da CBF não está nem aí para a sua galinha dos ovos de ouro. Tanto faz ou tanto fez se prejudicar os clubes nesta hora decisiva.
Vou logo dizendo: favorito nem pensar, mesmo porque os dois times vêm de grandes vitórias, dessas que “levantam cadáveres”. O Flamengo não terá Ronaldinho, Airton, Williams e talvez o Junior Cesar, desfalques importantes, mas nesta hora a camisa vale muito. Por sua vez, o Fluminense só não tem o Fred.
Em contrapartida, ninguém sabe o que Abel aprontará desta vez. Jogará “covardemente”, no erro do adversário, como vimos absurdamente contra o Atlético Paranaense (mesmo sabendo que tinha que vencer) ou aquele Abel que, surpreendendo todo mundo, colocou o time Tricolor para frente contra o Santos? Prefiro ficar em cima do muro.
Fico me perguntando se já não estava na hora do Deco começar uma partida como titular. Considero o meia um fator de desequilíbrio para o Fluminense nesta reta do campeonato. Abel tem medo (e que tricolor não tem?) que ele se contunda novamente. Faz parte do jogo. Em suma: temos todos os ingredientes para assistirmos um Fla x Flu como nos bons tempos.
Cada vez mais me convenço de que se a Copa fosse o ano que vem (e não estou vendo as coisas melhorarem para 2014) as chances de a Seleção Brasileira chegar às finais seriam bem menores do que a maioria pensa. Só escuto o Mano Menezes e grande parte da imprensa dizer que ainda faltam dois anos para a Copa do Mundo. Pois é, há pouco tempo faltavam três. E tudo continua na mesma.